sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

21

Sinto uma puta inveja de quem consegue conciliar cigarro e bebida, pois não consigo fumar, meus pulmões queimam, minha cabeça dói, me parece que vou vomitar. Essas pessoas parecem mais felizes, conseguem se divertir com pouco, bebem até a estupidez, veem sentido na vida, encontram sentido nos dias da semana. Pra mim segunda, terça, quarta ou quinta, nada muda. Sexta, nada muda; exceto quando estudava. Sábado ou domingo, quase sempre tô no meu quarto, talvez eu seja feliz dessa forma, não sei.
Sinto inveja dos que tão sempre prontos pra sair, dos que gostam de sentir cheiro de pessoas suadas por perto no carnaval. Sempre preferi meu canto, o céu, lugares distantes da cidade, poucos amigos, pouquíssimos mesmo, uma lua cheia, preocupação alguma. Meu pai diz que todo mundo tem quer ter preocupação, os que não se preocupam são uns vagabundos atoa, acho que sou uma atoa, nunca quis esperar muita coisa da vida. Não quero habilitação, diploma, carro, moto ou sei lá mais o quê. Quero apenas uma bicicleta, e as pessoas riem quando digo isso. Riem quando digo que gosto de esperar o ônibus ou que amo andar a pé. "Espírito de pobre, de porco, esse que tu tem". Acho que talvez eu tenha mesmo espírito de porco, de gente fodida.
Tem gente que consegue ser um pouco do que cada um quer. Não dou conta de ser assim. Por isso os poucos amigos, os pouquíssimos amigos. Sinto inveja de quem consegue se comportar num determinado lugar. Saber chegar ou sair, que consegue deixar uma boa impressão. Não sei o que devo falar quando chego ou quando saio. Acho que se eu tentasse me relacionar mais com as pessoas isso mudaria. Talvez.
Sinto inveja de quem sabe amar, de quem jura seu amor até o último fio de cabelo pulverizar, e consegue. Eu nunca soube usar direito meu amor.

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