quarta-feira, 1 de julho de 2015

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Em alguma parte do mundo existe um suicida sentado à beira da cama e do abismo. Há um turbilhão de sentimentos dentro de si, há remédios, crises e nuvens cinzentas. Ele caminha até a janela, pensa em acabar logo com tudo, mas há um cigarro, ele acende. Cigarros sempre aliviam o tédio dos dias da semana, lembra-se. E há uma impressão de que antes que o cigarro acabe, o mundo vá funcionar melhor, vá ficar mais suportável. Nenhum avião mais vai cair, pessoas não vão explodir pessoas, ninguém mais passará fome ou sede, ninguém mais será soterrado pela própria tristeza, pássaros serão soltos. Então há um desejo que o cigarro dure pra sempre, porque é evidente que se o cigarro terminar, será necessário outro, e mais outro. Ele vê que ninguém é capaz de compreender tuas dores, e as dos outros. Sim, é difícil imaginar um céu azul, pensar em algo bonito. O suicídio sempre será um monstro cultivado toda noite, pensa.

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