terça-feira, 21 de julho de 2015

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Existe algo de infame no teu singelo gesto. O mundo ainda não aprendeu a lidar com teu levantar, teu sentar e falar, a forma como tua boca toma a cada palavra dita, cuspida, jogada ao lento por ti. Esta imensa bola azul que vive eu e tu, não compreende que uma natureza como a tua seja digna de um espetáculo como esse, afinal, é assim que todos veem a tua existência: um concerto. Ah, bela, bela, mas como era mesmo o nome dela? Ferreira Gullar já tinha adivinhado teu nascimento. Se tu soubesse de todos os ardores que me vêm no peito quando te ouço, quando te vejo, saberia lidar com a minha falta de palavras, com minha doença, tu me arranca as mais rápidas inspirações. Aaah! Pombinha, usa a tua voz, diz o que sente, fala por intermédio da natureza o quanto tu ainda me ama. E vamos, vamos nos amar por um momento como dois suicidas esquecidos pela sorte. Sorte essa que insiste tropeçar bem nos nossos pés.

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