Existe algo de infame no teu
singelo gesto. O mundo ainda não aprendeu a lidar com teu levantar, teu sentar
e falar, a forma como tua boca toma a cada palavra dita, cuspida, jogada ao
lento por ti. Esta imensa bola azul que vive eu e tu, não compreende que uma
natureza como a tua seja digna de um espetáculo como esse, afinal, é assim que
todos veem a tua existência: um concerto. Ah, bela, bela, mas como era mesmo o
nome dela? Ferreira Gullar já tinha adivinhado teu nascimento. Se tu soubesse
de todos os ardores que me vêm no peito quando te ouço, quando te vejo, saberia
lidar com a minha falta de palavras, com minha doença, tu me arranca as mais
rápidas inspirações. Aaah! Pombinha, usa a tua voz, diz o que sente, fala por
intermédio da natureza o quanto tu ainda me ama. E vamos, vamos nos amar por um
momento como dois suicidas esquecidos pela sorte. Sorte essa que insiste
tropeçar bem nos nossos pés.
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