Há uns quatro meses que não escrevo. Desde então deixei de me engasgar
com as palavras. Os meus recursos de sobrevivência humana se renovaram de
alguma forma. Me sinto levemente mais feliz. O mundo continua uma merda, é
verdade. Nada mudou. Eu sei, obviamente, que se alguma coisa mudou, essa coisa
veio de dentro do meu peito. Engordei alguns quilos. O monstro suicida que eu
cultivava toda noite, agora adormece. O céu está mais azul e a solidão do mundo
que percorre minhas veias, agora não na me incomoda mais. Talvez eu tenha me
acostumado em estar só ou talvez seja a maturidade chegando como consolo e me
mostrando que a vida é produzir, reproduzir, consumir e fazer um monte de merda.
E é isso. Quase vinte e três. Faculdade da vida, último lugar. A única coisa
que sei é que venho morrendo desde que nasci e que o álcool permite deixar o
mundo um lugar mais suportável. A
felicidade no meu caso talvez seja isso: ter achado meu escape na bebida e nos
livros.
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