terça-feira, 26 de abril de 2016

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Há uns quatro meses que não escrevo. Desde então deixei de me engasgar com as palavras. Os meus recursos de sobrevivência humana se renovaram de alguma forma. Me sinto levemente mais feliz. O mundo continua uma merda, é verdade. Nada mudou. Eu sei, obviamente, que se alguma coisa mudou, essa coisa veio de dentro do meu peito. Engordei alguns quilos. O monstro suicida que eu cultivava toda noite, agora adormece. O céu está mais azul e a solidão do mundo que percorre minhas veias, agora não na me incomoda mais. Talvez eu tenha me acostumado em estar só ou talvez seja a maturidade chegando como consolo e me mostrando que a vida é produzir, reproduzir, consumir e fazer um monte de merda. E é isso. Quase vinte e três. Faculdade da vida, último lugar. A única coisa que sei é que venho morrendo desde que nasci e que o álcool permite deixar o mundo um lugar mais suportável.  A felicidade no meu caso talvez seja isso: ter achado meu escape na bebida e nos livros. 

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