quinta-feira, 11 de maio de 2017

São dias como o de hoje que eu penso em ti. Dias onde não há nada pra se fazer e onde tudo está no seu devido canto. Penso em ti e tento calcular quantos dias já se passou desde dezembro até agora. Nunca fui boa em números, você deve lembrar. Eu penso também nas histórias que eu inventei e você me repreendia me chamando de filha da puta. São dias como o de hoje que me recordo quando eu te ligava seis horas da manhã falando que o amor existe e nos espera lá fora. Você, mal humorada, desligava o telefone e voltava a dormir. São dias como o de hoje que paro pra me lembrar dos últimos meses, dos amigos que deixei pra trás, do cheiro do hospital onde trabalhei, dos pacientes. Paro e fico a refletir como é triste chegar em casa, no frio, cansada, sozinha e não ter você pra falar do caso do paciente que veio a óbito por conta do câncer avançado. Pego algumas gotas de remédio e tomo pra tentar dormir. Tenho bebido cada vez menos. Tenho tido muita preguiça de ler. Talvez seja bom que eu te escreva e mande todas essas coisas que fodem com a minha existência. Talvez você leia e me dê uma resposta no celular. Porque são dias como o de hoje, que eu sei que você também pensa em mim.

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