sexta-feira, 15 de setembro de 2017

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Um amigo me ligou ontem de noite e me disse que encontrou o amor da sua vida. Que agora finalmente teria alguém pra transar no feriado da padroeira da cidade. Segundo ele, esse é o pior feriado do ano. Ficamos ali durante uns quinze minutos, até que ele resolveu desligar dizendo que as dez iria levá-la prum motel. Desejei boa sorte e dei tchau. Liguei o som baixinho e botei Belchior. Era quarta feira. Não há nada numa quarta feira. Comprei algumas cervejas e comecei a tomá-las devagar. Acredito que quando um poeta comete suicídio sua alma descobre uma extensão de céu onde são recebidos pelos anjos com festa e músicas do Belchior. Abri mais uma e fiquei por ali. Troquei as músicas. A cerveja não fazia efeito e tudo ficava um tédio. Lembrei do meu amigo. Nesse momento ela já teria chupado seu pau ou ele já teria gozado dentro em algum motel razoável de Imperatriz. Um sentimento mesquinho de inveja nasceu. Comecei a rir da minha mediocridade. Abri a última garrafa. Me estiquei no sofá e olhei prum teto alto e sujo. Lotado de teias de aranha. Pensei no amor. Pensei na possibilidade de encontrá-la numa esquina qualquer ou enquanto meu ônibus não chega. Imaginei um lindo poema assinado com uma bela trepada. Adormeci. Quando acordei no meio da madrugada uma mensagem do meu amigo dizendo “Carol, terminamos. Ela disse que tinha que ir embora da cidade. Pediu desculpas e tal. Estou arrasado. Ainda tem cerveja aí?” E mais uma vez na noite eu sorri daquilo tudo. Poucos sabem, mas talvez o único amor acreditável seja um belo copo cheio de cerveja.

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