segunda-feira, 25 de setembro de 2017

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Se eu soubesse exteriorizar o que estou sentindo em relação ao último final de semana e a vida, o faria. Em vários momentos na aldeia eu senti vontade de chorar. Não sei dizer o motivo. Eu ouvia as histórias e me arrepiava em silêncio. As crianças indígenas banhavam no brejo sem nenhum receio, enquanto seus pais faziam da festa do mel a experiência mais linda que pude participar. Eles cantavam e dançavam bravamente, mesmo sendo uma possível despedida, pois havia um senhor de 103 anos, e talvez fosse sua última festa com a família. Eu sentava pelos cantos e observava as suas pinturas na pele, seu linguajar que pra mim era estranho e os cachorros que por ali andavam. Escutava as histórias cheias de coragem e sobre como foi escapar de uma onça no meio da mata. Eu via e ouvia tudo aquilo com um coração aberto e emocionado. Houve um momento que o senhor de 103 anos disse diante de uma câmera "índio não é brabo. se índio fosse brabo teria expulsado Pedro Álvares Cabral". Ouvir isso foi um soco no estomago, porque é muito comum por aí pessoas falando que índio é mau e que não são pessoas. Nesse momento, eu só queria abraçá-lo e dizer que vai ficar tudo bem. E falar pra ele o quanto tudo ali está sendo importante pra mim, porque foi conversando com alguns deles que eu pude ter a certeza que finalmente estou trilhando um caminho possível. Talvez nem eu mesma soubesse que o que estava acontecendo não era somente a festa do mel em si, pois eu pude vivenciar no plano físico que atravesso por um momento de transição na minha vida. Talvez tudo isso passe, o que é normal. Mas essa gratidão que sinto e jorra do meu peito, essa não vai passar, porque tudo que chega, invade e transborda de tanto amor, fica.

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