Sabemos que um dia vamos perder o tempo da piada, então as brincadeiras
irão soar sem nenhum sentido. Que também um dia iremos despertar juntas num
feriado de finados e cada uma vai encher sua xícara de café em silêncio, fazer
carinho nos gatos, acender um cigarro e dar um trago entre um gole e outro. E
depois se lembrar em segredo e com saudade daquele amor que tivemos aos vinte
anos, quando tudo soava possível. Aquela velha mágoa vai ressurgir quando
pensarmos na mulher que dedicamos poemas bonitos e jurávamos que eles iriam parar
num livro, coisa que nunca aconteceu. Vamos também sorrir das trepadas que
salvaram nossos domingos tristes e ébrios. Das bocetas carnudas que chupamos e
depois com a mesma boca fizemos juras de amor. E talvez numa quinta feira
saiamos pra tomar uma cerveja num bar próximo, pra tentarmos reviver algo
antigo, mas ficaremos a maior do tempo caladas, porque não teremos novidades,
só as lembranças dos amores que acreditamos. Ficaremos cansadas, pediremos a
soma do que comemos e então você se dará conta que o amor é aquela carta errada
que a cigana leu e a qual dizia que teríamos um futuro bonito.
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