quarta-feira, 27 de setembro de 2017

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Sabemos que um dia vamos perder o tempo da piada, então as brincadeiras irão soar sem nenhum sentido. Que também um dia iremos despertar juntas num feriado de finados e cada uma vai encher sua xícara de café em silêncio, fazer carinho nos gatos, acender um cigarro e dar um trago entre um gole e outro. E depois se lembrar em segredo e com saudade daquele amor que tivemos aos vinte anos, quando tudo soava possível. Aquela velha mágoa vai ressurgir quando pensarmos na mulher que dedicamos poemas bonitos e jurávamos que eles iriam parar num livro, coisa que nunca aconteceu. Vamos também sorrir das trepadas que salvaram nossos domingos tristes e ébrios. Das bocetas carnudas que chupamos e depois com a mesma boca fizemos juras de amor. E talvez numa quinta feira saiamos pra tomar uma cerveja num bar próximo, pra tentarmos reviver algo antigo, mas ficaremos a maior do tempo caladas, porque não teremos novidades, só as lembranças dos amores que acreditamos. Ficaremos cansadas, pediremos a soma do que comemos e então você se dará conta que o amor é aquela carta errada que a cigana leu e a qual dizia que teríamos um futuro bonito.

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