ouço tua voz nas ruas vazias
de imperatriz me contando do
último poema que me escreveu
e a verdade é que nunca me
importei pros teus poemas
decerto eu seja insensível e
não te ame da maneira conveniente
que teria de ser
por esse motivo
diminuo os passos numa esquina
e te procuro entre as pessoas que
estão comprando cigarro
logo à frente alguns carros buzinam
incansavelmente enquanto um ônibus
quase vazio pára antes do ponto
então te vejo descendo com teu
cigarro recém aceso na mão esquerda
dobrando a esquina e desvanecendo
como aquele amor irrecuperável da
nossa juventude.
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