Voltar a este blog é nostálgico. Reler tudo isso num domingo à noite é nostálgico. E eu não sei exatamente o que me traz aqui novamente. Me lembro que quando fiz este blog foi para organizar os meus escritos. De lá pra cá muita água rolou. Hoje, sou quase professora. Também não sei como me adentrei nesse caminho da educação. Fui indo e indo. As coisas me ocorreram dessa forma desde sempre. Por exemplo, eu ia pra escola porque tinha que ir. Eu pegava ônibus pra ir onde a minha mãe porque tinha que ir. Não existia o porquê das coisas. As coisas estavam lá e precisavam ser cumpridas. Cumpri. Hoje, aos trinta anos, ainda me sinto com a cabeça de vinte, mas, talvez, com um pouco menos (pouco mesmo) de infelicidade. Aos dez, quinze e vinte anos eu me lembro do mundo ser terrível. As coisas tinham um constante cheiro de podre, saudade, inquietação, masturbação, abuso etc. Hoje eu ainda sinto esse cheiro, mas é um cheiro arrodeado de outras sensações. Às vezes, de esperança por algo. E talvez isso tenha surgido após eu seguir o caminho da educação. Ou talvez porque hoje, 15/10/2023, eu ame profundamente a Ligia. Enfim, eu realmente não sei. Mas quando os dias estão ruins eu me apego em alguma dessas duas escolhas e penso 'é... talvez eu esteja no caminho correto'. Nem sempre foi/é desgraças. Aos trinta a maioria do entendimento que eu deveria ter ainda é muito obscuro pra mim. No entanto, em dias como o de hoje, eu reparo nessas fagulhas que se perdem no decorrer dos dias da semana. Preciso achar alguma sensibilidade que perdi quando comecei a escrever. Preciso me apaixonar de novo pela literatura, mas não essa literatura que estudei/estudo durante quarto anos no ensino superior. Me refiro sobre a literatura sem comprometimento com a academia. Aquela literatura que não se vê na Academia de Letras, ou nas grandes vitrines, ou em bancas de TCC. Quero a literatura viva! O espanto de terminar um livro e gostar. Piva dizia que a universidade é o túmulo da poesia. Não mentiu. É exatamente o que sinto. Eu quero me apaixonar novamente pela literatura para que meus alunos se apaixonem também. Quero voltar a escrever para que meus alunos escrevam também. Talvez eu consiga resgatar essa sensibilidade pela poesia que um dia eu tive. Talvez. E se eu conseguir, talvez eu me torne uma professora inspiradora que não dita as regras gramaticais. Eu não quero ser o medo de errar. Quero manter a dureza, mas sem perder a ternura. Feliz dia dos professores.
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