quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

01

sinto um arrepio na espinha quando ouço alguém dizer que dá pra conviver com a solidão. se até os loucos inventam personagens imaginários que, segundo alguns, os perseguem, imagine só os normais. os que acordam e pegam todo dia o mesmo caminho pra mesma faculdade, no mesmo busão, no mesmo assento, e depois voltam pra mesma vidinha e assim seguem os 365 dias do ano, e mais um ano, e mais outro e outro...
a solidão é uma coisa tão ordinária que quando tu se pega nela, uma sensação de que nada mais faz sentido surge. as coisas realmente perdem o sentido. pra ser mais precisa: uma sensação de loucura toma o cérebro. às vezes, na multidão me sinto assim. às vezes, escrevendo me sinto assim. e, às vezes, perto das pessoas que mais amo, me sinto assim. isso é ruim. solidão dói e aterroriza. ela te dá uma vontade imensa de pegar os problemas e gritar no alto-falante só pra que uma pessoa paciente e que tenha um pouquinho de amor pelo próximo te ouça e, sei lá, dê a solução, dê um colo. colo é bom, e não é coisa de gente boba, nem de carência. é coisa que todo ser humano precisa, senão jamais cresceríamos. alguém um dia te deu colo, mesmo que grosseiro, mesmo sem querer dar, mesmo você achando a pessoa hoje uma filha da puta ordinária que não vale o que o gato enterra, mesmo assim.
sinto um arrepio quando ouço alguém pedindo pra ficar só. e não tô falando de casamento, filhos, casa. é de tudo. talvez seres assim nunca se sentiram realmente sozinhos. na próxima, pensa bem.
deixa de ser achar normal e não fica assustado quando perceber que... ahn... estamos só?! sinto um arrepio de saber que sim, somos traídos por nós mesmos. que merda.
mas calma, carol, amanhã é natal. família reunida, primos novos, sobrinhos novos. as coisas agora vão melhorar. mesmo assim: aos bons, velhos, solitários e dementes defuntos que amamos, um pequeno e feliz natal.

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