terça-feira, 15 de abril de 2014

02

Foi sem querer quando eu me habituei a falar dos diálogos. Dá valor ao que sei fazer. Tentar gostar do que sei fazer. Dedicar o que sei fazer.
Descobri meio sem querer também que tinha me largado. Meus sonhos eram os deles. E tu, sem querer, me trouxe de volta. E eu, sem saber, deixei. Foi tudo espontâneo, sem vontade. Foi despretensioso, inocente. É como se de repente tudo voltasse. Todos os poemas, cadernos velhos, músicas, tudo veio sem que eu pedisse, ou soubesse que eles estavam vindo. Quase tudo. Foi sem querer quando insisti pra que tudo ficasse bem. Porque sabia da parte que o destino dessa vez não tinha me visto e desviado. Ele trazia algo. Ele me trouxe inspiração novamente. Realmente não queria. Às vezes só queria compreender dessas coisas que me ocorrem sem querer. Talvez não saiba nada mas não me importo. Acredito na parte que certas coisas devem ficar subentendidas. Isso me tranquiliza. Acho sem graça mostrar tudo por completo. Bonito mesmo é deixar insinuações escondidas por trás da arte. É delicado. Provocante. Enquanto escrevo isto, me sinto exatamente dessa forma: calma. É como se só agora toda a poesia saísse das bordas, e eu entendesse que elas são aspirina pra algumas pessoas. Só não é sem querer, sem querer, rimar com sofrer. Porque, acho eu, essas coisas que sucedem na parte amorosa da vida são movidas pelos bem querer não correspondidos que, sem querer, é fôlego pros versos indecente que insiste sair quando a lembrança vem.

das coisas sem querer

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