sábado, 28 de fevereiro de 2015

23

Ontem de noite, eu me peguei num quarto onde a luz estava muito forte. Nesse momento, lembrei unicamente do meu pai. Não sei o porquê, mas ele é o único que me veio à mente. Percebi que minha existência poderia está acabando naquele instante. Então senti todo meu sistema nervoso entrando em crise novamente, meu cérebro começou a vagar constantemente e sem limites pelas lembranças, como uma suicida reunindo os últimos motivos pra viver. E todos os demônios que lutei pra mantê-los quietos saíram como um vômito sai da boca de um bêbado. Desejei, das entranhas da alma, que houvesse uma pessoa ali pra me ajudar, eu estava disposta a falar de mim. Vivi durante toda minha vida como um zumbi. Vivi como uma merda boiando num mar de mijo literalmente. Sempre me privando de paixões, de pessoas, de conversas faladas, de me ver no espelho e me olhar nos olhos, de sentar e falar sobre meu dia pra minha mãe, de dar um simples bom dia pro meu pai. Agora, eu estava num lugar onde ninguém poderia me ver ou me chamar. Eu estava exatamente como eu sempre quis, sem ninguém por perto, então não deveria reclamar. Mas e meu pai. Como pode a ausência dele ter me desestruturado tanto. Ele não sabe, mas algo morreu em mim no momento que o destino passou e tropeçou bem na nossa frente.

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