Minha cabeça está rolando por aí desde o dia que você decidiu ir. Você me disse que tinha se cansado de todas as minhas crises, de todas as babaquices. Durante o tempo que você esteve aqui, você me disse coisas sobre o amor, que éramos extremos opostos e me pedia que eu parasse de implicar tanto, pois você fuma. Você me disse que não queria ter razão em nossas discussões, você me disse que só queria ser feliz. E então você falava e falava na esperança que o destino tomasse um rumo a nosso favor. Você disse que entre um milhão de pessoas, eu fui a única a te causar encantos e calafrios, e então por minha causa, você pararia de usar todos aqueles cigarros. Você se cansou do meu mau humor, de todas aquelas minhas birras. E hoje, enquanto olho fixamente pra esquina na espera do ônibus, lembro-me de como foi o meu dia. Durante toda essa semana fiz coisas aleatórias. Fui ao banco, sentei por horas ao lado de pessoas diferentes, falei com mulheres, com homens, tirei a roupa do varal, corri da chuva, tomei remédio pra tosse que por duas semanas me machucam os pulmões, tirei o sapato e me deitei, levantei e de novo, fiz todas essas coisas e mais outras de novo. Todo meu corpo se perde em saudade, saudade tua. Por que será que você, só você é capaz de me fazer sentir com sorte? E então você vem falando coisas que nem sei. Dizendo pra eu cuidar mais de mim, arrumar a cama, tirar a poeira dos livros, não lavar o cabelo à noite por conta da sinusite, ler os textos do Dalton Trevisan que você separou, sair, conhecer alguém e ser feliz. Talvez eu nunca consiga fazer nada de todas essas coisas, mas você me disse que eu devo tentar. Você me disse. E eu sempre confio.
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