Ali é você acordando às seis da
manhã. Então você levanta, faz higiene bucal, tira a roupa e abre o chuveiro. Tá
frio e logo quando a água bate no corpo dá vontade de mijar. Você mija. Você
toma banho rápido porque tá frio e é proibido estragar muita água. Fecha o chuveiro e vai em direção ao quarto onde tua irmã dorme, você acende a luz e procura alguma roupa. Mas qual
roupa. A calça tá antiga demais, escolhe outra, e outra e todas estão velhas,
folgadas. Você trabalha até a morte e
não sobra dinheiro pra comprar uma calça sequer. Sai sem tomar café. Caminha
até o ponto de ônibus. E a porra do ônibus custa. Você se preocupa com atraso,
porque mesmo o patrão sendo teu pai, você se preocupa. A vontade de mijar
volta, mas se você for mijar o ônibus vai passar e tá tudo acabado. Você pega o
celular pra ver se tem mensagem, e não, ninguém nunca se lembra de você às sete
da manhã. Passam dois, cinco, sete ônibus. E você aposta: se o meu for o nono, meu dia vai ser uma bosta. Passou o oitavo. E você fica apreensiva, pois parece
que o próximo é o seu. E é. Você fica tão feliz que sente vontade de espirrar. Você
espirra e quase se mija nas calças. Então você sobe, paga a passagem, mira o
mesmo assento, pega os fones e fica ali durante uma vida. Você sente que está
indo a lugar nenhum.
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