terça-feira, 7 de abril de 2015

27

Puxa a cadeira. Puxa devagar senão arranha o piso. Isso. Agora senta aqui na minha frente, quero te olhar nos olhos. Isso. Consegue relaxar? Tudo bem. Preciso te passar algumas informações. Te contaram que sou um parasita imundo? Sim, parasita que penetrou no teu consciente e corrói lentamente todo teu corpo. Não sou capaz de causar mal algum, mas eu preciso te julgar. Não, você não morreu, tudo isso aqui é mais uma crise, tua sanidade corre perigo. Consegue ver toda essa bagunça? É capaz de sentir esse mau cheiro? Isso tudo vem de você. Fica tudo aqui, na tua mente, apodrecendo. Te mandam sempre pensar coisas boas, é verdade. Só que nunca funciona, né? Aqui ninguém nunca foi capaz de chegar. Durante muito tempo acompanho tuas neuras, tuas ilusões. Você não deveria ter mentido quando te perguntaram se estava tudo bem. Te fizeram pensar que as pessoas fossem mais legais. Então você se sente cada vez mais velha e percebe que as coisas não são bem assim. Ainda consegue se sentir viva? Não, né? Você deveria chorar por isso. Consegue enxergar aquela caixa escura? Ali estão todas as discussões entre seu pai. As palavras estão podres, sim, tudo aqui fede. Você quis deixar tudo bem, mas não conseguiu. Nada mais acontece, os teus poucos amigos se afastaram, você se tornou insuportável, ninguém mais aguenta. Por que agiu assim? Por que não escutou os conselhos que tua mãe disse? Sou tua parte triste, e, assim como você, não consigo sustentar mais toda essa confusão. Sou um verme, sim. Mas não pense que sou apenas um parasita imundo. Sou teu lado consciente que ainda quer viver.

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