A terra não tremeu hoje. Há pessoas respirando por toda parte, elas deveriam se sentir sortudas. Faço parte desse meio, é verdade. Acordei e por sorte tinha algo pra comer. Deveria ser grata ao mundo por isso, mas não. Acordo já reclamando porque as coisas não estão exatamente como deixei. Saio mais uma vez pro trampo, o ônibus não atrasa, entro, vejo os mesmos rostos, me sento na última fileira de bancos. E me vem pensamentos e mais pensamentos. Penso em não pensar. O ônibus toma uma velocidade significante e aquilo me assusta, ele já está lotado e há uma sensação de que todos ali me olham. Opto por não ver nenhum dos rostos, e meus olhos continuam fixos no chão, me sinto melhor assim. A terra não tremeu e nenhum avião caiu. Chega o fim do dia e existe um sentimento de que algo bom me ocorreu. Sinto alívio. Abro a porta, vejo meus cachorros, continuo a respirar. Estou em casa novamente, longe de qualquer perigo, qualquer enchente, qualquer medo. E começa o ritual de sempre. Me sento, me ponho a escrever, me desfaço em fragmentos e avalio cada pedaço.
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