quinta-feira, 27 de agosto de 2015

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Se eu soubesse escrever, gostaria que fosse de uma forma que eu pudesse evitar um suicídio. Que a pessoa que lesse, encontrasse algo que se pareça com a paz; que soasse dentro dela como uma resposta de algo, um silêncio, um afago. Mas a verdade é que me acho algo feio de ser lido, relido, compreendido. Minha sanidade deixa claro que eu sou muito dramática e não me preocupo em parar com isso; e, na escrita, isso se torna maçante pra quem ler. Seria um alívio pra minha alma aprender a lidar. Mas eu espero, eu fico pacientemente no aguardo que o melhor de mim se desenvolva na escrita e na vida. Tento ler algumas coisas; compro alguns livros. Não que eu queira um dia ser aquilo; ver meu nome em alguma livraria. Não, isso não. Só quero poder acordar e escrever, mesmo que a inspiração em mim já esteja morta. Porém, repito, sou consciente que sou como algo que ainda está na conserva. Portanto, eu escrevo só pra mim, apenas pra eu mesma me entender, me ajudar. E se não fosse a escrita fazendo seu papel de ansiolítico da alma letra por letra, minha existência seria da mais medíocre. Por enquanto vou vivendo assim; me curando aos poucos, tentando manter em mim esse sonho de um dia ser instrumento da poesia; permitindo que ela um dia me use pra salvar alguém além de mim mesma. 

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