segunda-feira, 14 de setembro de 2015

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Boa noite, Carolina. É um prazer tê-la em meu programa.

Ah, oi, obrigada. Boa noite a todos.

Então, hoje você está com vinte e quatro anos e lançando seu primeiro romance. Como veio o gosto pela literatura?

No colégio eu não tinha muita amizade, daí sempre que chegava a hora do intervalo eu ia pra biblioteca, daí isso foi me aproximando mais dos livros.

Hum, entendi. O que é pra você ser um escritor em 2017?

É sofrer 24 horas por dia.

Pode desenvolver melhor a resposta?

Não.

Por quê?

Porque qualquer frase que eu formule não vai chegar perto do que eu quero dizer. Pra mim é impossível ser feliz. Sempre que me sinto bem, sinto também que a imbecilidade humana toma conta do meu ser. Não posso ser feliz só porque comprei um carro ou recebi um diploma. O mundo tá cheio de animalzinho e pessoas passando fome e sede. Tem como ser feliz? Não tem. Então é melhor tu ser infeliz 24 horas por dia, porque aí tu sente a dor do mundo e tenta fazer algo pra melhorar, entende?

Bonito isso que você disse.

Mas não era pra ser bonito.

Ah, sim, tudo bem. O livro se chama Ansiolítico da Alma, pode nos falar do que se trata?

É um romance.

Hahaha disso já sabemos, Carolina. Quero que nos comente mais.

Fala de uma moça que tem a oportunidade de mudar algo que ocorreu horas antes da mãe dela morrer.

Hm, você acha isso interessante?

Pra mim é.

Ô, câmera, filma aqui o livro, isso. Bom, gente, esse aqui é o Ansiolítico da Alma, o primeiro romance da jovem escritora Carolina Passos. A editora é a ahn... hm... Editora Echoes. Carolina, confesso que nunca ouvi falar dessa editora. 

Echoes é uma editora que eu fundei. Esse é o primeiro livro da editora. 

E esse nome Echoes? Tradução de Echoes é ecos, né?

Sim, sim. É uma homenagem ao Pink Floyd. Echoes é uma música dos caras e eu gosto pra caramba. 

Hm... pelo menos uma coisa de interessante nessa entrevista...

Oi?

Nada, nada. Carolina, me fale um pouco de você.

Falar o quê?

Se você tem outra profissão, quais são seus hobbies...

Ah, eu como, durmo, leio livros, como de novo e durmo. Às vezes ando de bicicleta também.

Vive só da escrita?

Ahãn, meu trampo é escrever, só sei fazer isso.

Ah, tudo bem. Existe algum ritual que você faça antes de escrever?

Tem... bom.. é...  eu sento de frente pro computador, coloco alguma música e escrevo.

Só isso?

Ahãn.

E você nem acende um cigarro pra inspiração vir?

Não.

Não bebe budweiser, long neck ou simplesmente uma heineken?

Não... ahn... ma... mas já tomei itaipava, essa conta?

Não usa nenhum tipo de droga?

Teve uma época que experimentei tomar ácido lisérgico, mas aí me falaram que eu não sou equilibrada emocionalmente. Senti medo que o ácido fritasse meu cérebro. Nunca mais tomei.

Você é careta igual seu livro.

Tu tá me ofendendo.

Não se preocupe, senhora caretice. Esse programa não é ao vivo. Ele não vai ao ar.

Por quê?

Porque você não se parece escritora. Você é uma farsa. Vão zoar com a minha cara se essa merda for ao ar.

Mas... E meu...

Esse romance é tão ruim que nenhuma editora se arriscou em publicar. É tudo uma merda. Seu livro é uma merda, a editora é uma merda e você é uma escritora de merda.

Mas...

Ô, segurança, tire essa farsa daqui.

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