quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

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De alguma parte de mim surge o questionamento, "por acaso eu poderia dar o fim a essa ausência que sinto de mim mesma? logo eu que já perdi as rédeas da minha vida, dos meus pensamentos e quase enlouqueci? eu, que ignorei o fato de ser desequilibrada emocionalmente e tomei ácido lisérgico pra achar respostas do desconhecido? eu, com todas as minhas confusões pessoais, com a minha covardia de chutar o balde e mandar todo mundo se foder bem longe de mim? eu, que deixo de fazer o que eu gosto porque me falaram que o outro caminho é melhor? eu, que já reprovei na escola e na existência; que já fui expulsa de salas e de vidas de pessoas que já amei? eu, que fui treinada a não gostar de fotos e que nunca tô presente na hora que alguém mais precisa de mim? eu, você acha que realmente eu, um dia vou suprir essa necessidade de mim mesma? logo eu que critico músicas que nunca ouvi, falo mal de livros que nunca li, defendo pessoas que nem conheço? eu, que odeio meu pai e penso que ele deve viver pelo menos duzentos anos pra pagar tudo o que fez? eu, que fui votar faz dois meses acreditando que algo pode melhorar? eu, que um dia defendi um partido político sendo que todos é farinha do mesmo saco, e que só roubam a você e a mim? eu, realmente eu Carolina, é capaz de ser minimamente alguém melhor? logo eu que deixo a cerveja esquentar enquanto tento escrever a primeira coisa decente da minha vida?"

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