Você foi dessas putas que nas noites mais frias
falam Eu te amo e na manhã seguinte vão embora deixando um rombo no peito, como
um furacão. Não há morfina que amenize a dor da saudade dos nossos momentos de
ternura e poesia. Nas noites mais quentes eu me lembro de como assinamos com
uma bela trepada o nosso adeus. E é por isso que toda vez que o calendário
marca dois de novembro eu acendo uma vela no túmulo que transávamos. É o dia
que mais chove e troveja no meu peito. Éramos amantes, mas sempre que dava fazíamos
amor. Lembro que sempre no fim de tudo você puxava meu rosto junto ao teu e
perguntava sussurrando "lê pra mim?", e então eu pegava um daqueles
meus poemas depressivos e lia. Você ficava atenta olhando fixamente pro teto,
como alguém que fuma olhando pro nada e pensando em tudo. E era aí, onde
residia a nossa mágica. O tal amor.
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