Sempre que brigávamos, eu tinha um plano: locava um
filme de terror pra você ver comigo. No decorrer do filme era inevitável não
nos aproximarmos. Era engraçado pelo fato de eu não saber se você já tinha
reparado nessa tática imbecil ou se fazia de sonsa. Era bonito. Alguma coisa eu
aprendia na vida. Comecei a me sentir minimamente esperta. Assistíamos e antes
que o filme acabasse, transávamos. Pronto. As pazes estavam feitas. A gente já podia sonhar juntas novamente e eu poderia esquentar meu pé junto ao teu nas noites frias. A velha pergunta “quer
cigarro?” após o sexo voltaria. Fumávamos. Vinha os dez minutos mais tranquilo
de nossas vidas. Você pensando de um lado; eu tragando vagarosamente pelo
outro. Toda essa cena me fazia lembrar o que Gabo disse: o
casamento sempre acaba depois que se faz amor. E era exatamente assim que eu me
sentia. E talvez isso seja o amor: tragar, assim como o cigarro, lentamente o
veneno do outro até que o amor acabe pra alguém.
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