segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

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No último sábado tentei inutilmente me enforcar. A vida tem me enchido o saco nos últimos quatro anos. Crises depressivas. Drogas. Álcool. Livros e mais livros. Costumo dizer que a existência é um cu melado de bosta e não há papel higiênico eficiente que consiga limpar essa merda. E o mundo deve ser uma lagoa de fezes onde você tem que aprender a nadar logo, senão você engole tudo que é porcaria. Engole calada. Sem choro. E você vive. Sobrevive. Acorda cedo pra pegar o ônibus que sempre atrasa. Bate o cartão. Torce logo pela sexta feira pra poder beber em paz. Às vezes escreve. Você lê e percebe que tudo que sai só são coisas depressivas. Não escreve um poema que preste. Não tem ninguém pra inspirar coisas bonitas. Todos os amores foram experiências ruins. A última, por exemplo, te traiu com a ex. É pesado demais a lembrança e o cheiro da boceta dela que impregnou nas tuas mãos. Talvez todas essas coisas melhorassem a tua literatura. Talvez você seja burro demais pra tentar tirar algo disso. Mas você escreve. 

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