Quando eu era criança, lembro bem, havia dias em que eu acordava apaixonada. Não havia um lugar e muito menos alguém. Eu simplesmente sentia um amor imenso no meu peito. Isso me fazia acordar cedo. Nessa época, eu ainda não escrevia. Então eu começava a tentar demonstrar aquilo pra alguém. Certa vez acordei minha mãe e disse 'mãe, quero me casar com você, com o pai e todo mundo'. Ela, ainda dormindo, sorriu e mandou que voltasse pra cama. Obedeci. Isso aconteceu inúmeras vezes. Um amor inexplicável invadia meu peito e eu começava a querer falar pro mundo. Nunca consegui. Nunca soube usar o jeito certo. É como se minhas mãos fossem pequenas demais pra comportar algo grande. Ou como se esse algo fosse muito liso e escorregasse das minhas mãos. Hoje, quase vinte e quatro anos, eu ainda tento, de alguma forma, aprender a lidar com essa sensação que agora é raro me acontecer. Mas continuo fazendo tudo errado. Talvez o amor seja pra poucos. Deve ter a maneira e a quantidade certa de usá-lo. Porém eu nunca aprendi a dose certa. Há sempre um exagero ou a falta dele.
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