terça-feira, 6 de junho de 2017

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Escrever sobre ti foi a única coisa útil que sobrou da gente. Quando estou sem motivos pra criar uma prosa eu geralmente te procuro no facebook e olho pra tua foto por alguns segundos. Questão de minutos vem aquele sentimento triste. Então começo a escrever. Falo coisas que poderiam ter acontecido como, por exemplo, tu me salvando de um suicídio numa tarde de domingo após uma noite de bebedeira e, logo em seguida, ficar horas lendo pra ti poemas aleatórios de escritores e escritoras que se mataram. Escrevo também sobre tu acordar ao meu lado numa manhã chuvosa de natal. Natal é e sempre será um dia triste, convenhamos. Ou de como eu poderia passar uma noite toda escrevendo o meu melhor poema pra que tu leia logo de manhã cedo e se sinta feliz por alguns minutos ou horas. Tu não sabe, mas tu é motivo da minha saudade. Nas noites de insônia, compro uma cerveja pra esquecer teu rosto e dormir em paz. Tu é a desculpa pra eu escrever e será a única razão do meu livro que levará teu nome. E a sensação de sonhar contigo e depois acordar é a mesma de um suicida com uma arma cheia de balas na gaveta, mas incapaz de atirar, pois não tem as mãos. No mais é isso, tenho trabalhado muito nos últimos meses e bebido menos e talvez esse seja o motivo da minha ansiedade. Tenho também separado os textos pra quando a gente se encontrar eu ler pra ti. Certamente tu vai gostar e perguntar ‘essa pessoa do texto existiu mesmo?’, e eu, com toda minha graça e cinismo direi ‘sim, felizmente’.

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