quinta-feira, 22 de junho de 2017

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Toda madrugada eu penso em te ligar e ler um poema meu qualquer. A ansiedade nunca deixa. Então me sento na beira da cama e começo a apagar meus cigarros na ferida que você cultivou enquanto esteve por aqui. Você me disse pra eu fazer isso toda vez que a saudade apertasse. Você me disse que fazendo isso eu nunca me esqueceria que a vida é difícil pra muitos e que o amor dói. E que os melhores dias são aqueles que ninguém te vê ou te escuta. Você me disse também coisas sobre a lua. E quando ela estivesse cheia você pegaria os poemas que te dediquei e os leria em voz alta pra que toda aquela mágoa passasse logo. Então eu completei: tenho a impressão que até os anjos vão gozar no escuro quando escutarem essa tua voz macia. Você sorriu. Era teu jeito tosco de lidar com o furacão que ficou no seu peito quando você decidiu ir.
Os dias por aqui vão passando devagar. Tive tempo de mudar os móveis. Escolher outra cerveja. Trocar as cobertas. Mas a única forma que achei de matar a minha saudade foi escrevendo e apagando os cigarros na ferida, como você pediu pra eu fazer.

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