Toda madrugada eu penso em te ligar e ler um poema meu qualquer. A
ansiedade nunca deixa. Então me sento na beira da cama e começo a apagar meus
cigarros na ferida que você cultivou enquanto esteve por aqui. Você me disse
pra eu fazer isso toda vez que a saudade apertasse. Você me disse que fazendo
isso eu nunca me esqueceria que a vida é difícil pra muitos e que o amor dói. E
que os melhores dias são aqueles que ninguém te vê ou te escuta. Você me disse
também coisas sobre a lua. E quando ela estivesse cheia você pegaria os poemas que
te dediquei e os leria em voz alta pra que toda aquela mágoa passasse logo. Então
eu completei: tenho a impressão que até os anjos vão gozar no escuro quando
escutarem essa tua voz macia. Você sorriu. Era teu jeito tosco de lidar com o
furacão que ficou no seu peito quando você decidiu ir.
Os dias por aqui vão passando devagar. Tive tempo de mudar os móveis. Escolher
outra cerveja. Trocar as cobertas. Mas a única forma que achei de matar a minha
saudade foi escrevendo e apagando os cigarros na ferida, como você pediu pra eu
fazer.
Nenhum comentário:
Postar um comentário