segunda-feira, 3 de julho de 2017

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O dia hoje amanheceu nublado. As nuvens escrevem teu nome o tempo todo. E, pra piorar, hoje completo vinte e quatro anos. Então eu acordo. Olho as mensagens no celular. Levanto e caminho até o banheiro. Escovo os dentes, ligo o chuveiro e mijo. Tomo meu banho. Volto pro quarto. Visto uma roupa. Pego minha bicicleta e desço pro trabalho. A chuva oscila o dia inteiro. Chove forte, chuvisca, chove forte de novo e chuvisca. Durante esse tempo, eu faço meus deveres. Espero o relógio dá dezoito horas e volto pra casa. Durante esse tempo, nenhuma mensagem tua. Não que eu me importe em ser lembrada, mas é que contigo é diferente. Não é só um parabéns. É perguntar sobre o dia, sobre a vida. Falar das antigas e novas decepções. Reconhecer que não vale a pena se magoar e sair dizendo bobagens. É fazer as pazes. Contigo tudo sempre foi diferente. Contigo, eu aprendi como é escrever sentindo saudade. Contigo, eu experimentei o que é se apaixonar de verdade. Contigo, eu descobri que dá pra amar muito alguém e mesmo assim deixá-la ir, porque o amor é isso: uma pessoa muito querida que decide ir embora num domingo de sol, deixando um rombo no peito de quem fica.

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