quinta-feira, 13 de julho de 2017

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Desde o dia que roubaram minha bicicleta tenho andado cabisbaixo. Tenho pensado mais no mundo e nesse sistema que vivemos. Quando comento do roubo a maioria diz 'ah, é só uma bici, já já tu compra uma moto' Eles acham que é um transporte de pobre, que logo em seguida terei uma moto. Mas não. Nunca sonhei com uma moto ou um carro. A bicicleta é o transporte que nunca deveria ter caído de moda. O mundo deveria ter evoluído menos. Está tudo muito à frente. As crianças recebem mil informações e viram adultos fracassados, como nós. E sofrem, muito. Crescem achando que se não passarem pra medicina numa federal e estarem estabilizadas até os trinta anos são derrotadas. Eu, por exemplo, cresci assim. Hoje, com vinte e quatro, sem bicicleta, sem moto, sem carro, sem diploma e recém carteira assinada, me entristeço. Às vezes, quase sempre, fico frustrada por não estar como o mundo queria. Porém, o que me consola é saber que a humanidade falhou. Deus falhou. O sistema deu errado. Ninguém sabe o que fazer. Ou cada um acha seu escape, ou cada um pega sua carabina e solta um tiro nos miolos. Por isso, enquanto o mundo se fode, eu escrevo. Enquanto trocam minha bicicleta por algumas pedras de crack, eu escrevo. Tento ficar de pé. A literatura tem me deixado tranquila. Escrever sobre minhas decepções tem sido como ganhar um abraço da minha mãe falecida há cinco anos. 

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