sexta-feira, 25 de agosto de 2017

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Hoje eu pude me apaixonar. Troquei minha solidão por algumas longas trepadas e horas de conversa. Valeu a pena. Tomamos um vinho barato que o pai dela trouxe de suas viagens. Foi o melhor vinho. Ela tinha um cheiro especial. Sua boceta carnuda tinha um gosto bom.  Seu corpo tremia. Suas gozadas era algo desesperador. Era como se há tempos ela esperasse por aquele momento. Enquanto transávamos eu senti que estava me apaixonando pela mulher dos olhos mais lindos que eu já havia visto. Ela me encarava com ternura. A melhor trepada possível estava acontecendo. Então ela gozou uma, duas, três, quatro vezes. Disse que já tava bom, que queria fumar. Descansou por dez minutos e levantou pra acender um cigarro. "Você escreve?" ela perguntou, "sim" eu disse. Puxou a primeira fumaça, deu uma bela tragada, olhou pro teto e soltou. Eu continuava deitada. Então ela me encarou com aqueles olhos mais lindos de Imperatriz e falou "Carol, você é o mais perto de me apaixonar que cheguei, mas você escreve, não tenho paciência pra escritores. Vocês, poetas, são uns imbecis, amam demais e não sabem o que fazer com esse amor." Eu poderia retrucar. Me defender. Porém já era tarde. Eu já havia me apaixonado e ela de alguma forma estava certa. Poeta é um bicho imbecil que mendiga amor e se acha especial por saber escrever. Levantei da cama. Beijei suas mãos. Me vesti e corri pra parada mais próxima pra não perder o ônibus de casa.

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