Cheguei no Rio com uma mochila emprestada, um livro e uma caneta. Todo mundo ali sabia que nenhum ponto turístico da cidade seria meu motivo maior de pegar aquele voo e cruzar o país, a única razão de estar ali era você. Sempre sonhei com esse dia. Finalmente poderia te ver e te pedir perdão pelas vezes que fui imbecil. Finalmente poderia ler em voz alta e com o cu cheio de cerveja todos os poemas que te dediquei durante esses quatros anos. Então eu desço do avião. Uma ânsia de vômito sobe até a garganta. Procuro o banco mais próximo e me sento. Abro a mochila e pego os poemas um por um. Por alguns minutos me sinto ridícula por ficar daquela forma. Afinal você namora, pretende casar e ter filhos. Já eu sinto que parei no tempo. Eu parei no momento que te conheci. Desde então te dedico poemas pensando nesse exato momento onde estou, prestes a te ver. Às vezes, quando reencontro colegas do colégio e eles me perguntam sobre faculdade, digo que não tenho nenhum diploma, apenas um emprego de um salário mínimo. Eu poderia falar que escrevo belos poemas e que você foi a única inspiração possível, mas me falta coragem. Talvez o fim seja isso, seja escrever e passar vexame com o rombo que fica no peito quando alguém decide partir ou pior, nunca vir.
Nenhum comentário:
Postar um comentário