O que me chateia é saber que serei substituído. Não vou mais ser o cara que bate na tua porta e tua cachorra reconhece que sou eu e vem correndo abanando o rabo de felicidade por me reencontrar. Nem o neto da sua avó. Nem o cara que consegue acalmar tua sobrinha enquanto chora. O que me chateia é pensar que esses anos de relacionamento eu te ensinei sobre o amor e você ignorou tudo quando decidiu me deixar naquela segunda feira abafada. Quando suas crises depressivas vinham com força eu te beijava, te dava remédio e dizia que tudo ia ficar bem. Que iríamos alugar uma casa em algum subúrbio do Rio. Que aos poucos a gente ia comprando nossos móveis e ter nosso filho. O que me chateia são as lembranças de nossas trepadas nos fins de semana no motel que te levava sempre. É saber que quando sua menstruação atrasar não será eu o cara que ficará apreensivo junto com você, porque não será eu o cara que irá vacilar e gozar dentro. O que me chateia é lembrar que eu sempre soube que você não contava comigo em seus sonhos e mesmo assim eu insistia em estar ao teu lado, porque eu estava acostumado em te ter do outro lado da cama. Você foi a oferenda que ofereci aos orixás e eles recusaram, e o que mais triste é saber que ainda assim insisti durante seis anos.
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