Quando você suicidou-se no penúltimo dia do carnaval passado eu estava submersa no meu próprio muquifo. Eu também pensava muito em suicídio nessa época. Algumas vezes cheguei a te telefonar no meio da tarde, no meio de uma crise, e você me dava força. Você dizia que o mundo era grande e que eu não poderia pensar nessas coisas antes de chupar sua buceta. Eu sorria. E sim, eu morria de vontade. Mas você sempre se esquivou. Havia um medo em teus gestos. Talvez você pensasse que depois de uma transa nos apaixonássemos. Mas o que ninguém sabe é que me apaixonei antes mesmo da primeira trepada. Às vezes pensava em morar contigo numa casa perto perto de um igarapé no interior do Amazonas. Ou de adotar um filho contigo e batizá-lo com o nome do teu avô, João. O único velho dessa cidade que todo início de mês nos chamava pra tomar quinze cervejas no bar de sempre. Foram segredos que guardei até aquele fatídico penúltimo dia de carnaval quando me mandaram a mensagem que te encontraram enforcada na escapa do quarto. Desde esse dia, todas as vezes que chego bêbada em casa eu escrevo poemas que terminam com as iniciais do teu nome.
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