segunda-feira, 19 de março de 2018

145

Pararam de encher nossos copos. Os bares estão todos fechados e não há nenhum bêbado dormindo na calçada. Alguns comemoram a chegada de dois mil e dezoito enquanto eu empresto meu isqueiro pruma mulher que já está na quarta carteira de cigarro. Ainda era noite quando ela me olhou e disse que sua única meta pro ano que chegava era parar de fumar. Soltei um riso irônico quando ouvi isso, mas no fundo desejei que realmente conseguisse. Então ela sentou-se no chão, acendeu mais um cigarro e disse que preferiria nunca ter fumado. Que sua mãe faleceu de enfisema pulmonar em julho. E que desde então havia dado todo o seu dinheiro pruma vidente que se dizia a melhor da cidade. Dessa vez eu não sorri nem tentei dizer coisas alegres. Algo decadente nos atava. Tínhamos somente a nossa sombra e nenhuma palavra bonita mudaria isso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário