segunda-feira, 19 de março de 2018

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Tratei de sair do quarto cautelosamente enquanto você dormia profundo. Tirei os chinelos, abri a porta da sala, depois a dos fundos e comecei a sumir no breu da rua vazia. Conferi a hora no celular, 5:15 da manhã. Pensei em voltar e acordar contigo num sábado ensolarado e nauseante. Mas eu já havia caminhado alguns metros. Continuei. E, conforme me afastava, lembrei de quando, no fundo, nós sabíamos que a lagoa que tinha logo em frente um dia pararia de reluzir teu riso nas manhãs de sol e que o esse silêncio, agora físico, iria nos tragar aos poucos.

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