A manhã estava calorenta. Normal. Mas estava eu numa esquina qualquer,
esperando uma amiga. Tiro o capacete, arrumo cabelo, pego o celular, mexo um
pouco, guardo, fico quieta e continuo ali; esperando.
Não sou muito de ficar atenta, mas sem que eu reparasse
antes, um molequinho que devia ter sete anos no máximo passava ao meu lado
segurando a mão de sua mãe.
Molequinho branco, magro, miúdo, com cara de
Pedro. Então ele olha pra sua mãe e pede: "mãe, me deixa ir voando pra casa?"
sua mãe responde algo do tipo "não". então ele pula, e repete: ”por
favor, mãe, me solta, me deixa voar?" ela, preocupada com a quantidade carros, claro que não
soltaria a mão de seu moleque. Ele insiste. Ela não permite. Normal.
Deu pra sentir a tristeza do molequinho. Os
olhinhos dele ficaram cravados em seus passos e, olhando pro chão, não quis mais
insistir. Foi caminhando quieto e em silêncio. então os perdi de vista.
Seus sonhos, ali, tão perto, tão longe. Mãe dele
sabia que ele não voaria, apenas correria de braços abertos imaginando um voo. Mas pra ele não. Ele voaria. E alto. Mas não voou. E, ali, naquela esquina,
devia ter vários assim só que adultos, frustrados. Com os olhos fixados no passado, incapazes de esquecer o rancor que alguém causou. Normal...
nosso tempo de menino
nosso tempo de menino
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