quinta-feira, 22 de maio de 2014

06

A manhã estava calorenta. Normal. Mas estava eu numa esquina qualquer, esperando uma amiga. Tiro o capacete, arrumo cabelo, pego o celular, mexo um pouco, guardo, fico quieta e continuo ali; esperando.
Não sou muito de ficar atenta, mas sem que eu reparasse antes, um molequinho que devia ter sete anos no máximo passava ao meu lado segurando a mão de sua mãe.
Molequinho branco, magro, miúdo, com cara de Pedro. Então ele olha pra sua mãe e pede: "mãe, me deixa ir voando pra casa?" sua mãe responde algo do tipo "não". então ele pula, e repete: ”por favor, mãe, me solta, me deixa voar?" ela, preocupada com a quantidade carros, claro que não soltaria a mão de seu moleque. Ele insiste. Ela não permite. Normal.
Deu pra sentir a tristeza do molequinho. Os olhinhos dele ficaram cravados em seus passos e, olhando pro chão, não quis mais insistir. Foi caminhando quieto e em silêncio. então os perdi de vista.
Seus sonhos, ali, tão perto, tão longe. Mãe dele sabia que ele não voaria, apenas correria de braços abertos imaginando um voo. Mas pra ele não. Ele voaria. E alto. Mas não voou. E, ali, naquela esquina, devia ter vários assim só que adultos, frustrados. Com os olhos fixados no passado, incapazes de esquecer o rancor que alguém causou. Normal...

nosso tempo de menino

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