Vinte e um anos de idade, das
poucas coisas que eu sei que é verdade, é que venho morrendo desde que nasci.
Todos os dias me esquivo dos perigos, mas se torna inevitável não morrer aos
poucos.
Sim, todo mundo é suicida e
triste. Ninguém vê a ponta da felicidade se não chorar um milhão de vezes,
ninguém consegue ter sorte no amor e no ônibus ao mesmo tempo, ninguém me disse
quando correr. O tempo passou. Então penso em colocar um chinelo e sair à noite
pra ver o céu. Me deitar na calçada, deixar que tudo tome algum sentido. Sentir
o infinito reagindo como um sedativo que relaxa a alma. E me chamam de porra
louca, demente. Que as consultas então marcadas pra eu ir. Não, o único ansiolítico
que funciona é o ar frio da noite que me traz a calma que perco toda vez que
meus nervos perdem os pontos. E hoje é dia de matar o tempo. Então tomei
coragem pra levantar e sair pra ver o movimento das pessoas. Exausta de
encostar sob a luz do por do sol, procuro a escuridão pra ver melhor as
estrelas. Porque no escuro ninguém pode me fazer mal. Contemplando o céu sou ouvida
pelo mundo inteiro. Aqui, morrer aos poucos, se torna menos agonizante.
Ótima reflexão. E assim nós vamos vivendo o aqui e o agora. Para o momento, sugiro escutar esta belíssima canção: http://www.vagalume.com.br/gilberto-gil/aqui-e-agora.html
ResponderExcluirBeijos.
Jardel Camargo
escutei e gostei! valeu por compartilhar =)
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