sábado, 21 de março de 2015

25

Vinte e um anos de idade, das poucas coisas que eu sei que é verdade, é que venho morrendo desde que nasci. Todos os dias me esquivo dos perigos, mas se torna inevitável não morrer aos poucos. 
Sim, todo mundo é suicida e triste. Ninguém vê a ponta da felicidade se não chorar um milhão de vezes, ninguém consegue ter sorte no amor e no ônibus ao mesmo tempo, ninguém me disse quando correr. O tempo passou. Então penso em colocar um chinelo e sair à noite pra ver o céu. Me deitar na calçada, deixar que tudo tome algum sentido. Sentir o infinito reagindo como um sedativo que relaxa a alma. E me chamam de porra louca, demente. Que as consultas então marcadas pra eu ir. Não, o único ansiolítico que funciona é o ar frio da noite que me traz a calma que perco toda vez que meus nervos perdem os pontos. E hoje é dia de matar o tempo. Então tomei coragem pra levantar e sair pra ver o movimento das pessoas. Exausta de encostar sob a luz do por do sol, procuro a escuridão pra ver melhor as estrelas. Porque no escuro ninguém pode me fazer mal. Contemplando o céu sou ouvida pelo mundo inteiro. Aqui, morrer aos poucos, se torna menos agonizante. 

2 comentários:

  1. Ótima reflexão. E assim nós vamos vivendo o aqui e o agora. Para o momento, sugiro escutar esta belíssima canção: http://www.vagalume.com.br/gilberto-gil/aqui-e-agora.html

    Beijos.
    Jardel Camargo

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  2. escutei e gostei! valeu por compartilhar =)

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