consigo
sentir meus ossos mais sensíveis, às vezes
minhas
pernas não obedecem ao comando
às vezes
calculo mal os degraus que ainda faltam e
o pior,
minha memória não funciona como antes
mas ainda
assim eu me acostumei a te esperar
no lado
esquerdo da cama pra perguntar o que você
fez hoje,
sobre as lembranças, se você alimentou os
pombos lá
fora ou qual foi a sua última refeição
eu te espero
na varanda, sentada, na esperança de você
enrolar o
meu cigarro na simetria perfeita, sim, eu nunca aprendi,
sou incapaz,
minha mão fica trêmula, me sinto nervosa
hoje eu fiz
um esforço e levantei da cama
preparei um
café forte e amargo, como você gosta
sentei num
banquinho e fiquei ansiosa na espera de um
único sinal
da campainha e ser você
então peguei
um livro pra ler, mas me lembrei que
há meses
perdi meu óculos
há meses não
chove
há meses meu
campo de visão é cinzento
não sei se é
fumaça ou se é a tua falta
te espero, pois não tem pra quem perguntar sobre
o sabonete
do banheiro que sumiu ou o porquê
da tampa do
vaso estar aberta
te espero
porque a saudade que sinto é como se arrancasse
lentamente
os dentes que ainda me faltam
te espero
como um
suicida espera um mundo melhor após a morte.
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