sexta-feira, 7 de julho de 2017

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Você não sabe, mas enquanto você arrumava suas unhas eu te observei com um cuidado de mãe. Enquanto você ficava perdida em seus dedos, eu pude sentir uma tristeza misturada com saudade invadindo meu peito. Ali, alguma coisa estava me avisando que você iria embora. Sempre acreditei em superstições. Então eu disse 'meu bem, tu vai embora, sabia?'. Você, sem tirar os olhos do que estava fazendo, respondeu 'amor, não começa com tuas bobagens' Nesse momento, o telefone toca. Você para o que está fazendo e atende. A pessoa do outro lado começa a te deixar tensa. Algo ruim aconteceu, penso. E acontece. Você me pergunta onde estão os cigarros. Eu começo a ter a certeza absoluta que algo ruim aconteceu, pois você acredita veemente que há um poder no cigarro de afastar coisas ruins, ‘menos o câncer’, eu falo indo pegá-los. Então você começa a dizer que sua mãe retornou com as crises epilépticas. Que talvez tenha que voltar a morar com ela novamente. Uma lágrima escorre no teu rosto enquanto eu te dou um abraço cheio de ternura. Começo a ter certeza que a saudade virou minha companheira fiel. Primeiro foi com o falecimento da minha mãe, depois alguns amores e agora você. Pra piorar, o céu estava nublado e a noite era muito fria. Raciocino o quanto será difícil desacostumar sem teu cheiro e sem tuas calcinhas estendidas no quintal. Será triste entrar na padaria que eu comprava teu bolo de queijo e não poder comprar mais. Acordar e não te ter ali pra dar um beijo no rosto vai ser esquisito. E saber que eu não vou mais sentir o gosto da sua boceta no meu céu da boca num domingo melancólico é angustiante. Por isso, desde esse dia, todos os dias à noite eu acendo um cigarro e fico ali, no aguardo, no silêncio, esperando que ele queime junto com tudo de ruim que vem se acumulando, principalmente a saudade.

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