Em trinta e um de dezembro eu quero estar sóbria em algum momento pra
poder escrever qualquer coisa que expresse minha gratidão. No final, irei
anotar no meu peito calejado todos os momentos que eu pude me emocionar e ser
realmente feliz esse ano. Por vários períodos da minha existência eu vivi
atrofiada num quarto esperando anoitecer pra poder finalmente fazer atividades
simples como tomar banho e comer alguma coisa. Eram dias difíceis e
intermináveis, onde ninguém falava sobre depressão, transtornos etc. Às vezes
ficava muito calor no quarto, então eu olhava pela janela o mundo girando
perfeitamente bem, aquilo me dava ânsia de vômito. Voltava pra cama e esperava.
Havia uma espera por algo que eu sabia que nunca vinha. Era como se eu
aguardasse alguém sentar na minha cama e ficasse ali me observando sem o dever de
falar qualquer coisa, talvez isso ajudasse. Nesse caso, sem ninguém por perto,
eu agonizava em silêncio na janela, torcendo pra alguém sair de casa, só assim
eu saía do quarto e comia qualquer coisa. Os anos se passaram e dois mil e
dezessete veio como aquela lembrança bonita de natal. Quem sabe eu nunca
consiga escrever a poesia certa pras pessoas que pintaram do seu jeito único
minhas tardes de domingo. Mas existe um poema sendo grafado por cima dos calos
do meu peito, nele vocês poderão tocar e ver que lá fundo estão os seus nomes
escritos com a minha letra torta.
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